segunda-feira, 27 de julho de 2009

Tripla Jornada

Eu costumo dizer: Quem foi a pessoa que resolveu queimar o sutiã em praça pública e com isso definiu que nós mulheres teríamos que deixar se ser o sexo frágil e passarmos a ser que nem os homens? Ok, confesso, sou uma defensora das "Amélias". Por mim, ficava em casa cuidando dos filhos... Mas a idéia aqui não é criar polêmica e sim, falar sobre o dilema da jornada tripla: mãe, profissional e esposa!

Após esse movimento feminista, as mulheres foram "obrigadas" a entrar no mercado de trabalho e hoje é super normal, o orçamento da família ser composto por duas rendas. O padrão que se impõe necessita das duas rendas.

Tudo isso seria muito legal se, além da carga que já pesava sobre o ombro das mulheres, não tivesse sido adicionada a carga de ser provedora do lar.

Já foi feita uma pesquisa que comprova que quando as mulheres ficavam em casa, seus maridos eram magros, pois costumavam caminhar do trabalho até em casa para almoçar. Comiam uma comidinha caseira e bem mais saudável do que as comidas que comemos na rua. Bom, acho que isso mudou, né? Nossos maridinhos estão digamos, mais fofinhos... rsrsrsr

Então tá, estamos trabalhando e de repente chegam os filhos. Durante a gravidez um conflito começa a rondar nossas mentes: E depois da licença? Onde deixarei meu filho? Babá ou creche? (isso é assunto para outro post)

Decidido onde deixar a criança e independente de ser em casa ou em creche vem o período de adaptação. Que é mais adaptação da mãe do que da criança. Se a criança fica bem logo de cara, ótimo! Mas se ela não fica, o coração da mãe fica apertadinho, apertadinho...

Uma vez separados, voltamos à nossa rotina de trabalho. Nos primeiros dias, a mente está focada com nossa responsabilidade profissional, mas o coração está pensando: como será que ele(a) está? Será que comeu bem? Será que dormiu bem? Daí vc liga n vezes pra casa ou pra creche pra saber e descobre que seu filho está melhor lá do que quando estava só com vc. E pra quem não sabe, filho sabe quando está com a mãe e se aproveita dessa situação... rsrsrsrs

Como vc volta ao trabalho após 4 meses, é bem provável que vc ainda esteja amamentando. E aí começa uma dura rotina, a de tirar leite no trabalho para deixar para ele beber no dia seguinte. E por mais que vc tire leite com a bomba, não é a mesma coisa que um bebê sugando, o que, gradativamente, faz com que o leite vá ficando mais escasso, até secar.

E falando da licença, se o Ministério da Saúde diz que o aleitamento materno tem que ser EXCLUSIVO até os 6 meses, então porque cargas d'água, eles não aprovam uma lei obrigatória para a iniciativa privada? Deixa pra lá...

Se seu filho(a) estiver numa creche, essa tem horário para abrir e fechar, então vc tem que reorganizar seus horários para encaixar com os da creche. Caso vc tenha uma babá que não durma, também. POis ela não vai querer ficar até altas horas da noite esperando vocês chegar.

Uma vez que seu filho passe a conviver com outras crianças, em caso de creche, se prepare, você atravessará um período turbulento de doencinhas... E aí, um outro problema se instala. A criança doente não pode ir pra creche. Então quem vai ficar com ele(a)? Daí começa todo um planejamento para ver se a vovó 1 está disponível, se vovó 2, se titia e caso não tenha ninguém sobra pro papai e pra mamãe faltar o trabalho e ficar em casa. Hummmm... Graças a Deus aqui no trabalho, minha supervisora me entende. Mas nem todo lugar é assim...

E as consultas ao pediatra? Normalmente bebês pequenos são marcados para horários mais cedo, para evitar contato com outras crianças doentes. Daí, tem que sair cedo do trabalho... E por aí vai...

Quem não tem empregada, é obrigada a congelar as papinhas para o final de semana. Se não passa TODOS os finais de semana na cozinha. E a quantidade de roupa suja e para passar? Meu Deus! Parece que não termina nunca! E como você trabalha, só tem as noites e os finais de semana para dar conta de tudo isso...

Ufa! Ficou cansada? Mas é assim mesmo... Unhas? sombrancelhas? Depilação? Por um tempo isso fica bem complicado... Sem empregada, é fogo! Daí a sua porção esposa está sempre cansada, desarrumada e sem ânimo pra estar bonita e cheirosa. O seu negócio é bater na cama e dormir. Porque na maioria das vezes, você voltou a trabalhar, voltou a acordar cedo, mas seu filho ainda acorda de madrugada... Ô beleza!

Mas o melhor disso tudo é que passa, viu? Você se acostuma como tudo nessa vida... E acaba dando conta, porque nós mulheres somos assim, a gente sempre encontra uma saída... rsrsrsrsrs

Mas como era mesmo o nome da infeliz que queimou o tal sutiã?

5 comentários:

Roberta disse...

Ainda bem que você disse que TUDO PASSA!

Meu Deus, vc quer assustar as meninas?!?!?!?!? :)

A frase que eu escutava sempre de uma amiga nessa fase aí era: TUDO PASSA!
E é verdade!!!!
Apesar de todas essas "dificuldades" a vida se encarrega de dar um jeito. A vida ou a gente mesmo né?!

O fato é....tudo isso é nada diante do sorriso do seu bebê!!!! A gente esquece todo o cansaço, todas essas preocupações e vamos que vamos!!!!

Bjs.

Fran disse...

Ah sim... A idéia aqui não é assustar não, pois ser mãe é delicioso! Mas temos que ser honestas e não enganar nossas seguidoras... Sabe qual é um dos meu maiores prazeres ao chegar em casa depois de um dia inteiro de trabalho? É pegar meu filhote acordado e ver aquele sorrisão banguela quando me vê. Realmente todo cansaço vai pro espaço... Não tem aquele ditado que diz: ser mãe é padecer no paraíso? É assim mesmo... hehehehehehe

Dedeia disse...

Caramba! Quem já teve filho sabe muito bem o que é isso e se identifica com tudo que foi falado, mas quem não teve ainda... rs
Bem, mas acho que é isso ai! Temos que falar tudo de maneira clara e sincera a todas.
Sempre me achei a pior mãe do mundo pq sempre que perguntava a outras mães se elas se sentiam extremamente cansadas, com vontade as vezes de chutar tudo pro alto so pra ter um momento só seu pra ir a um cabeleireiro, ir ao shopping sem se preocupar em ter que fazer a malinha do bebe, levar comida, água, suco, fraldas ... sempre ouvia das outras mães que se sentiam cansadas sim, mas ao ver seus filhos o cansaço sumia. BESTEIRA!!! Não some nada, vc continua cansada, exausta querendo sair despreocupada para dar uma volta, ficar na cama mais 30 minutinhos e não pode.
Sinceridade é tudo e acho que muitas mães acabam escondendo essa “lado ruim” e só falam do lado bom de ser mãe, das maravilhas, descobertas, o amor incondicional que do nada surge dentro de nós, mas acho que é ate maldade não falar sobre essa parte do cansaço, do estresse que a gente vive, das dúvidas, medos...
Fran, ta de parabéns... pelo menos quem quiser se embrenhar nesse campo vai saber onde pisar.
bjs

Vick disse...

Só uma observação...
E quem não deixa na creche? Não sei se tem menos ou mais trabalho....
Eu por exemplo trabalho meio perído e achava que como teria mais um tempinho em casa tiraria de letra as tarefas com o bebê, mas não sei não! Parece que cada vez aparecem mais coisas a fazer. A manhã voa, engulo o meu almoço, fico esperando meu marido já na porta para "entregar o bastão" e já chego no trabalho cansada. Depois do horário de trabalho chego em casa e ainda tenho "aquela roupinha pra passar", porém como foi dito tenho a maior das recompensas! Um belo sorriso (Cheio de dentinhos, diga-se de passagem rsrsrsrs)

Tatiana disse...

Confesso que concordo com minha amiga Fran. Não sou nem um pouco feminista, isso só serviu para aumentar a carga de responsabilidade que levamos, só serviu para aumentar o índice de mulheres estressadas... hehehehe
Ainda bem que pelo menos tenho flexibilidade em meu trabalho, por isso tenho podido me dedicar mais ao meu filho, isso tem sido muito bom, mas às vezes a cobrança que faço a mim mesma parece pior do que se fosse de um patrão, é terrível, pelo fato de não conseguir fazer nada atualmente com qualidade, pois são muitas tarefas a serem realizadas ao mesmo tempo: empresa, casa e cuidados com filho.

Bjinhos.