sexta-feira, 13 de novembro de 2009

História de um nascimento: bebê Lucas

Meninas,

     Diferente das outras vezes, vou conhecer essa história junto com vocês já que não a li. A Roberta pediu para eu publicá-la e não tive tempo de ler antes.

     A história de hoje é a do Lucas, filho da Letícia Godoy, do Filhos Adotivos. A conhecemos através do Papo de Mãe. O Lucas já tem 16 anos.

    Vamos ler juntos essa história?


  1. A motivação
Sempre sonhei ser mãe. Engraçado que nunca sonhei com formalidades, casamento na igreja, festa, nunca sonhei nada disso, mas ser mãe era um sonho que eu queria muito realizar. Pensava: “quanto eu tiver uns 30 anos, carreira estabelecida, situação financeira estável quero ter um filho.”
Na virada do ano de 92 para 93, lembro que chorei muito, me sentia sozinha, estava sem namorar fazia um tempo e pedi a Deus alguém especial, não queria mais ficar sozinha.
Completei 19 anos no dia 15 de janeiro de 1993 e em fevereiro conheci um amigo do meu primo e começamos a namorar. Deus ouviu meu pedido, pensei (mas ainda não era este o homem que mudaria minha vida para sempre).

  1. As tentativas
    Tentativas?????? Que tentativas rssss. Queria curtir meu namorado, sair... mas todas sabemos que sem prevenção uma gravidez pode acontecer. Mas não aconteceria comigo, só com a vizinha rssss. Usávamos o método infalível do coito interrompido e... maravilha tudo certo rssss. Minha mãe percebendo que era uma paixão louca e que o clima estava quente entre nós marcou gineco, fui, e saí de lá com duas amostras grátis de anticoncepcional e com a recomendação para começar a tomar no primeiro dia da próxima menstruação. Ok, tudo entendido. Eiiii!! Mas cadê o primeiro dia para eu começar a tomar esse negócinho???? O tempo foi passando, passandooo e passandoooo... eee ... nada, vários absorventes em branco jogados fora.... mas tinham as cólicas... mais um absorvente pq ta forte hj....eee... nada.
Minha mãe dizia: “e aí? Veio?” E eu “nada” e ela “xiiiiiiiii” e eu “xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”. Minha barriga estava inchada, as calças fechando com dificuldade, seio começou a doer, alertaaaaa!!!!! Era hora de fazer o exame. Minha mãe dizia: “vamos fazê-lo para convencer a ti, pq eu já tenho certeza” (afinal ela passou 4 vezes por isso rsss)

  1. A descoberta
    Eu fui a gineco em março e fiquei a espera e nada do primeiro dia de menstruação. Minha mãe que ia à mesma gineco foi à consulta e pediu uma requisição para eu fazer o exame de sangue. Em abril estávamos lá, eu e minha mãe, para variar, cedo no laboratório para fazer o exame. Lembrem que estou falando de um procedimento feito à 16 anos, não existia internet rsss, cidade do interior do RS, conhecíamos a médica que colheu o sangue. Ela disse: “o resultado só estará à disposição para vc pegar às 17 horas, mas se vc me ligar por volta de 15h eu já terei a resposta.  Claroooooo que liguei às 15h em ponto e escutei “Parabénssssssssss, vc vai ser mamãe”. Como assim??? Isso só era para acontecer quando eu estivesse com uns 30 anos e não faz muito que completei 19!!!!
Eu e minha mãe nos abraçamos, choramos e ela disse: “minha filha, eu te apoio no que vc quiser fazer, no que decidir fazer, mas esta criança encheria nossa casa de alegria”
Nunca senti a minha mãe tão MÃE como naquele momento, era tudo que eu precisava ouvir, era tudo que eu queria ouvir. Definitivamente eu teria este filho sim.
OBS: nesta época morávamos só nós duas. Em 86 minha última irmã solteira casou e meu pai faleceu em 87.

  1. A gravidez
No dia que peguei o exame passei a noite toda vomitando rsssss, os dias seguintes tb. Não podia olhar para o pai do meu filho, sentir seu cheiro q vomitava, já estava até ficando constrangida com isso, mas não conseguia evitar. Tive todos os sintomas: enjôos, congestão nasal, azia (muitaaaaa), dores na coluna, tudo de chatinho q tem na gravidez eu tive. Havia feito dieta, então engravidei magra, mas engordei 22kg, um horrorrrrr.
Tive alguns conflitos: saudade do meu corpo, me achava feia, estrias explodiam na minha barriga...acredito que tive até um pouco de depressão, era muita mudança. Não estava nem um pouco preparada para a maternidade naquele momento.
Com 7 meses de gestação tive infecção urinária, fiquei 3 dias internada tomando medicação na veia para que o bebê não nascesse. Acredito q nesse momento caiu a ficha, fiquei muito preocupada com medo dele nascer fraquinho de perdê-lo.
Não soube seu sexo, naquela época não se fazia ultrassom todos os meses como se faz hj, era pedido um mais ou menos no sexto mês, mas além do aparelho q tinha uma imagem horrorosa de escura, o bebê tb já estava grande demais e nada foi visto. Sem problemas, enxoval todo amarelo e verde, pobre criança ia parecer o Louro José. Diagnóstico, provavelmente seria cesariana, minha bacia é fechada e estreita (problema de fábrica, minhas irmãs tb são assim), o defeitinho faz com q o bebê não encaixe e consequentemente não há dilatação, sequer entraria em trabalho de parto.
Data provável do parto de 3 a 13 de dezembro de 1993, como nem entraria em trabalho de parto mesmo, escolhi o dia 06.12.93 para trazer meu filho ao mundo. Duas semanas antes sonhei com uma cama de hospital e um bebê menino peladinho em cima dela.


5. O parto

Dia 6 era uma segunda-feira, então no fim de semana já começamos os preparativos, mala prontíssima, depilação, laxantes e nada de comida a partir das 20h de domingo. Segunda, tínhamos q estar no hospital às 8h, e lá estávamos nós. Assina papelada de convênio, médica confere se ta tudo depilado direitinho, chega a camisola, tudo pronto.  Precisa de cadeira de rodas??? Não estou ótima, não sinto nada, vou andando mesmo. E lá fui eu para o bloco cirúrgico. O anestesista me recebe, manda eu tirar a camisola com abertura pra frente e ficar só com a outra. Ué!! Vc está de calcinha??? Sim, precisa tirar??? Achei q como era na barriga podia ficar. Ele claro q morreu de rir da minha cara e mandou levar minha calcinha para minha mãe lá fora. Minha mãe achou q já tinha nascido qdo viu a enfermeira, mas era só a minha calcinha mesmo rssss. Anestesia as 12h e às 12:10h o choro forte, cheio de vida, meu filho nasceu, minha médica dizia, “é guri, é menino, errei” rssssss Lembram do pedido que fiz a Deus??? Pois é, este seria o homem que nunca mais sairia da minha vida, meu grande amor.
Chorei muito qdo vi aquela boquinha banguela chorando pra mim. Olhei ele todinho, fiz um raio-X pq morria de medo q trocassem meu filho na maternidade, então precisava ter seu rostinho em minha mente.
Depois fui levada para a tal sala de recuperação, onde vc só sai depois de mexer os pés, e isso aconteceu lá pelas 16h. Não agüentava mais ficar lá, queria ver meu bebê com calma, até q me levaram para o quarto e nos reencontramos. Fotos do nascimento não tenho, mal tenho dos últimos meses de gestação e nenhuma do hospital, não existia câmera digital tb heheheh. E a analógica q tínhamos fazia todos os procedimentos como se tivesse filme e na verdade não tinha. Uma pena, fiquei muito chateada de não ter ficado com esta recordação, mas todos os detalhes lembro como se fosse hj, ficou tudo guardado na minha memória para sempre.
Na terça levantei da cama, depois de um café da manhã q era pro acompanhante e comi tudo kkkkkk, minha barriga roncava não comia desde domingo, aí descobri pq as mulheres desmaiam ao levantar da cama, claro querem levantar a gente em jejum ainda bem q eu já estava fortinha rsss.
Passei super bem, quase não senti dor, não andava curvada, achavam q eu tinha feito parto normal até. Em pé consegui trocar a primeira fralda do meu filho, ele estava com xixi até o pescoço, é meninas flocgel tb ainda não funcionava muito bem naquela época, tive que trocar ele todo, qdo ele já estava peladinho vi exatamente a imagem do meu sonho, era ele que estava no meu sonho.

6. Amamentação:
Minha grande frustração. O bico do meu seio esquerdo é meio invertido, na verdade se arrepiar ele sai pra fora, mas é minúsculo e quando o peito encheu de leite ele sumiu. Não tive uma orientação adequada o que me causou uma grande frustração por não poder amamentar meu filho. Qdo ele já tinha uns 5 anos, fiquei sabendo que poderia ter amamentado sim, mas aí já era tarde demais.

7. Sentimentos maternos:
Meu filho tinha muita cólica, teve que tomar leite em pó e isso ressecava mais seu intestino, uma verdadeira tortura. Eu fui dormir de meia-noite as 5h da manhã ele já tinha 2 meses, e acreditem, isso foi uma vitória, o que eu considerei uma noite bem dormida. Em meio a choros, cólicas e noites em claro eu me culpava, não conseguia sentir o tal “amor de mãe” que me falavam que era maior que tudo, estava cansada, exausta. O tempo passou e tudo foi entrando numa rotina, as cólicas diminuíram e eu conseguindo entender o “tal amor de mãe”. Descobri que qdo um filho nasce, nasce tb uma mãe no mesmo momento. Descobri que o amor, os vínculos afetivos são construídos na convivência com o novo ser. Que precisamos adotar tb os filhos que trazemos ao mundo. Descobri que o meu amor crescia a cada dia e assim fomos construindo nossa história.

8. Resgatando o meu eu:
Quando meu filho tinha 11 meses separei do pai dele, sofri muito, entrei em depressão, pensava: “e agora? Como vou criar meu filho sozinha?” Apesar de nunca ter sonhado com casamentos tradicionais, nunca quis ser mãe solteira, pois acredito que pai é muito importante na vida dos filhos (o meu foi muito importante para mim). Não tive escolha, passei 6 meses horriveissss, precisava de algo a mais na vida, de estimulo. Eu tinha me transformado na mãe do Lucas, mas eu precisava de um reencontro comigo mesma. Voltei para o cursinho pré-vestibular e no dia que o Lucas completou 2 anos eu estava fazendo a minha matricula na faculdade. Fiquei muito feliz, precisava lutar por nós dois. E na faculdade eu não era a mãe do Lucas, eu era apenas a Letícia. Amava meu filho mais que tudo, mas precisava resgatar o meu eu.
Mesmo morando com minha mãe os papéis sempre foram muito definidos, eu sempre fui a mãe dele, e minha mãe sempre foi a avó. Eu cuidei, ele era meu, minha responsabilidade e eu quis que fosse assim. Minha mãe tinha a vida dela, o namorado dela e eu tinha o Lucas.

9. Seguindo a nossa vida:
Lucas com 6 anos, eu acabará de me formar em 8 de janeiro de 2000. A decisão já havia sido tomada a 1 ano atrás, após minha formatura viríamos para Brasília onde morava meu irmão. Dia 11 de fevereiro pisamos na Capital Federal (onde já havia morado por 5 anos qdo era criança), mala, cuia, computador, livros e um filho agarrado as minhas pernas. Agora as responsabilidades tomavam uma proporção maior. Morei 5 meses com meu irmão depois fomos morar sozinhos, eu e o Lucas, pela primeira vez. Saudade, desemprego, dificuldades, correria, passamos por tudo.
Ele cumpria horário junto comigo, deixava ele na escola pela manhã e ia trabalhar, pegava ele 12:30h e levava para outra escola onde ele fazia as tarefas, praticava esportes, brincava, almoçava e lanchava a tarde. Muitas vezes ficava presa no trabalho e só conseguia pega-lo 20h, uma loucura, saía chorando, correndo, me sentindo culpada por fazê-lo cumprir um horário tão desgastante, e ele ainda era tão pequeno. Qdo ele tinha 11 anos conheci meu marido, temos uma empresa de venda de software pela net, larguei tudo e fiquei trabalhando em casa. Hoje olho para trás e vejo que passamos por muitas coisas, mas o mais importante é que passamos tudo juntos. O Lucas cresceu, hoje é praticamente um homem. Meu melhor amigo, meu grande amor, daria minha vida por ele. Eu sei o que é amor de mãe, e é o melhor sentimento do mundoooooo. Agora quero ser mãe de novo, estou inscrita para adoção, e posso ser mãe de 2 meninos irmãos, entre 2 e 6 anos, a cor não importa e amor não faltará. E como falei anteriormente, tb temos que adotar nossos filhos biológicos, construir vínculos afetivos, pq não adotar filhos prontos? Crianças a espera de uma família e de amor? Não vejo a hora de poder falar os meus 3 filhos, um varal cheio de cuecas kkkkkkkk muita testosterona  amor e felicidade.

Eu sei que ficou mega enorme o meu depoimento, mas são 16 anos de amor, e aqui fiz um super resumão rssss



9 comentários:

Fran disse...

Oi Letícia!

Linda a história do Lucas! E assim que vocês estiver com sua família completa venha aqui nos contar a história dos seus outros filhos.

Ai, ai... E tome choradeira!

Patrícia Angélica disse...

Letícia, vi em vc um pouquinho de mim. As lutas, a correria e as grandes vitórias! Parabéns e que sua família cresça logo!
Vc é muito guerreira e merece toda a felicidade do mundo!

Nem preciso falar que estou chorando horrores, né?

Beijos

Letícia Godoy disse...

Meninasssss, eu tentei contar de uma forma divertida para ficar um pouco menos pesado do que foi e vcs estão chorando???? rssssssss

Não chorem não, o importante é que sobrevivemos a tudo isso rssss. E mais importante ainda é que sempre sobrevivemos a tudo isso rsss

Nunca pensem que não vão conseguir, que não vão dar conta, sempre há um caminho.

As batalhas, dores e lágrimas são necessárias para o crescimento, Amadureci 10 anos em 1 com o nascimento do Lucas. Hj analisando o que passou, tenho certeza que precisava que ele nascesse qdo eu tinha meus 19 anos, ele não veio antes do tempo, ele chegou na hora certa.

É, Deus escreve certo por linhas tortas mesmo.

Aqui foi um resumão mesmo, pq a história completa daria um livro rssss

Qdo chegarem meus outros filhos, desta gravidez sem prazo para acabar rsss, eu conto tudinho para vcs.

Beijinhos, obrigada pela torcida e pelo carinho

Fran disse...

O choro é de emoção... Mãe é manteiga mesmo!

Vanessa disse...

Letícia linda história. Tb fiquei com os olhos cheios de lágrimas, mas por ver que´nós mulheres somos muito guerreiras e nada para a gente é impossível.
Parabens pela família linda.
Bjs,

Dany disse...

Letícia, vc foi mãe novinha como eu!
Linda a sua história!!!

Jú Ferrer disse...

Linda história, adorei!!!

Leticia, parabéns pela mulher e mãe que vc é, aposto que seu filhote não poderia ter uma melhor que vc!!

Beijocas

Ana Cristina disse...

Lê, você é realmente muito especial!! Adoro histórias de luta, garra e sucessos maternos...

Também tenho a minha e um dia conto a vocês...

Parabéns!!

Passa lá pra me ver!!

Beijocas

Ana Cristina

Francine Figueiredo disse...

Que história lindaaaaaaaa
lógico me emocionei e muito, mas ri e muito também com a história da calcinha kkkkkkk
bjs